{"id":4152,"date":"2019-01-01T00:00:48","date_gmt":"2019-01-01T02:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/hnserver.com.br\/~psicologia\/cac\/?p=999"},"modified":"2025-12-02T14:04:07","modified_gmt":"2025-12-02T17:04:07","slug":"familia-e-corpo-formando-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/familia-e-corpo-formando-adultos\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia e Corpo: Formando Adultos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fam\u00edlia e corpo: formando adultos<\/strong><\/p>\n<p>Por <em>Leila Cohn<\/em>, 2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O corpo da fam\u00edlia tem uma organiza\u00e7\u00e3o complexa, um legado trazido h\u00e1 varias gera\u00e7\u00f5es, em varias camadas, uma forma pr\u00f3pria de funcionar, mas tamb\u00e9m uma organiza\u00e7\u00e3o corporificada de origem \u00e9tnica, social e comunit\u00e1ria. Fam\u00edlias est\u00e3o inseridas em um corpo maior, uma cultura com padr\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o, uma corporeidade, valores e formas de rela\u00e7\u00f5es sociais. H\u00e1 uma sobreposi\u00e7\u00e3o de camadas no corpo da fam\u00edlia que influencia os padr\u00f5es de contato, as aspira\u00e7\u00f5es, expectativas e valores de seus membros. Neste contexto complexo e multidimensional, herdamos alguns padr\u00f5es e aprendemos outros, ora por incorpora\u00e7\u00e3o, ora por imita\u00e7\u00e3o, ou formando oposi\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. Crescemos no seio da fam\u00edlia, corporificando um legado herdado, interagindo, e formando a nossa pessoalidade respondendo da melhor forma poss\u00edvel aos est\u00edmulos e desafios da conviv\u00eancia. Neste processo formamos uma estrutura anat\u00f4mica-emocional, padr\u00f5es de comportamento e atitudes pr\u00f3prias que configuram um modo de ser no mundo. \u00c0 medida que crescemos e formamos a nossa identidade consolidamos papeis relacionais e sociais que posteriormente repetimos nas outras rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste workshop usaremos o esfor\u00e7o muscular cortical voluntario para diferenciar graus nos nossos papeis habituais, herdados ou formados na fam\u00edlia, e criar alternativas para o viver.<\/p>\n<p>Fam\u00edlias t\u00eam padr\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios, um modo de funcionar envolvendo a regula\u00e7\u00e3o de proximidade e distancia, a intensidade de excita\u00e7\u00e3o, formas de contato e intimidade, coloca\u00e7\u00e3o de limites, rela\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o ou competi\u00e7\u00e3o, e encorajamento ou n\u00e3o &#8216;a individualidade e crescimento de seus membros. Mencionarei aqui uma variedade de formas familiares para te estimular a iniciar uma reflex\u00e3o sobre a sua experi\u00eancia em fam\u00edlia e iniciar o seu trabalho.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois divisores de \u00e1guas que podemos usar como referencia quando trabalhamos com fam\u00edlias: o grau de diferencia\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o dos seus membros e a forma\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de adultos aut\u00f4nomos. O desenvolvimento de adultos requer o reconhecimento da singularidade dos seus membros, o atendimento de necessidades b\u00e1sicas e o respeito \u2018as diferen\u00e7as individuais &#8212; um ambiente firme-poroso que ofere\u00e7a suporte e pertencimento, um corpo familiar est\u00e1vel, mas com elasticidade e<\/p>\n<p>permeabilidade suficientes para permitir o ir e vir dos seus membros e a inclus\u00e3o do novo. Uma fam\u00edlia que ofere\u00e7a contato, afeto, separatividade, calor, prote\u00e7\u00e3o, limites e conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fam\u00edlias podem ser m\u00f3teis, porosas, r\u00edgidas ou densas. Podem ser fusionais ou distantes. Perme\u00e1veis ou imperme\u00e1veis. Capazes de diferencia\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o de limites ou com bordas difusas e indiferenciadas. Esfuziantes ou reservadas. Intensamente calorosas ou frias. Ambientes onde tudo \u00e9 poss\u00edvel e o c\u00e9u \u00e9 o limite, ou cheios de regras e com pouqu\u00edssima flexibilidade.<\/p>\n<p>Fam\u00edlias m\u00f3teis, com pouca diferencia\u00e7\u00e3o entre seus membros dificultam o crescimento de adultos, todos funcionam como \u2018\u2019um corpo s\u00f3\u2019\u2019, em bloco, sem distin\u00e7\u00e3o da individualidade de cada um e dos espa\u00e7os pessoais. Fam\u00edlias excessivamente porosas tamb\u00e9m carecem de fronteiras bem definidas, os limites e o suporte s\u00e3o fracos, n\u00e3o ha seguran\u00e7a suficiente para um desenvolvimento est\u00e1vel. Nas fam\u00edlias r\u00edgidas com um padr\u00e3o de distanciamento excessivo falta proximidade, calor, flexibilidade e acolhimento para o amadurecimento, o que tamb\u00e9m dificulta a forma\u00e7\u00e3o de adultos. Fam\u00edlias densas se fecham em si mesmas e n\u00e3o permitem trocas com o mundo externo, que \u00e9 percebido com desconfian\u00e7a e potencialmente amea\u00e7ador. H\u00e1 uma firme divis\u00e3o entre \u2018\u2019nos e eles\u2019\u2019 e uma demanda excessiva de lealdade que cerceia as intera\u00e7\u00f5es com os \u2018\u2019de fora\u2019\u2019.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m fam\u00edlias onde os pais s\u00e3o adultos subformados e os filhos precisam adultificar-se prematuramente e assumir responsabilidades maiores do que a sua capacidade naquele estagio da vida. Impossibilitados de amadurecer no seu tempo, permanecem internamente subformados, embora possam ter um desempenho social competente.<\/p>\n<p>No outro extremo, h\u00e1 os pais super formados &#8212; muito r\u00edgidos ou densos, exigentes e com expectativas exageradas &#8212; dificultando tamb\u00e9m o amadurecimento dos filhos, que incorporam a exig\u00eancia sentindo-se sempre \u2018\u2019aqu\u00e9m do que deveriam\u2019\u2019, ou com uma divida de desempenho para o outro, buscando sempre a aprova\u00e7\u00e3o alheia, em ambos os casos tornando-se adultos perform\u00e1ticos com um interior subformado.<\/p>\n<p>Familias podem ter culturas de sucesso ou fracasso, de ambi\u00e7\u00e3o e anseio de crescimento ou de auto sacrif\u00edcio e impedimento, de expans\u00e3o e satisfa\u00e7\u00e3o ou de retraimento e insatisfa\u00e7\u00e3o, de leveza e usufruto ou de esfor\u00e7o exagerado e frustra\u00e7\u00e3o. Todos os padr\u00f5es da cultura familiar s\u00e3o realidades corporificadas, posturas anat\u00f4micas e atitudes emocionais que incorporamos e repetimos no mundo. Corporificamos e<\/p>\n<p>vivemos mitos familiares que afetam o nosso cotidiano e nossos caminhos futuros. Neste workshop usaremos micro movimentos muscular corticais volunt\u00e1rios para influenciar os padr\u00f5es corporificados na fam\u00edlia, formar mitos pessoais diferenciados e tra\u00e7ar caminhos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Convido voc\u00ea a investigar que padr\u00f5es de comportamento e atitudes voc\u00ea herdou, incorporou, ou formou em resposta \u2018a conviv\u00eancia familiar, como voc\u00ea os vive hoje e o que gostaria de formar na sua vida. Trabalharemos com o esfor\u00e7o muscular cortical volunt\u00e1rio para diferenciar padr\u00f5es somatico-emocionais que corporificamos na fam\u00edlia, e formarmos como queremos nos relacionar conosco e no mundo.<\/p>\n<p>Como era o padr\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es na sua fam\u00edlia de origem?<\/p>\n<p>Como era a cultura da sua fam\u00edlia?<\/p>\n<p>Padr\u00f5es de contato? Calorosa e afetiva? Esfuziante? Fria e distante?<\/p>\n<p>Quem era(m) o(s) adulto(s) respons\u00e1vel (s) na fam\u00edlia?<\/p>\n<p>Que papeis voc\u00ea assumiu?<\/p>\n<p>Para quem?<\/p>\n<p>Voc\u00ea e filha (o) do seu pai ou da sua m\u00e3e?<\/p>\n<p>Que tipo de negocia\u00e7\u00e3o voc\u00ea fez para pertencer?<\/p>\n<p>Que papeis voc\u00ea aprendeu na fam\u00edlia e pratica hoje nas suas rela\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Como voc\u00ea forma intimidade e proximidade? Ou evita forma-las?<\/p>\n<p>O que voc\u00ea gostaria de formar nas suas rela\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>De finalizar?<\/p>\n<p>De desenvolver mais? De diminuir?<\/p>\n<p>No trabalho formativo <em>\u2018\u2018&#8230; Aprendemos a formar graus de contato, permeabilidade e proximidade, modulando dist\u00e2ncia, limites e impermeabilidade. Aprendemos a formar intimidade conosco e com outros, a sair dos extremos da densidade impenetr\u00e1vel e da motilidade transbordante. Aprendemos a amaciar a dureza da rigidez e a firmar a gelatina da porosidade. Organizamos um modo pessoal de filtrar o que n\u00e3o desejamos e de acolher o que queremos. Experimentamos estilos diversos de nos aproximar e distanciar, de receber e evitar contato, de tocar e sermos tocadas. Principalmente aprendemos a multiplicar modos de estar presente nas rela\u00e7\u00f5es, a variar formas de contato e ampliar possibilidades. Amadurecemos e modelamos novas formas de estarmos presentes, influenciando assim conhecidos padr\u00f5es familiares de relacionamento.\u2019\u2019<\/em> Stanley Keleman, 2010<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia e corpo: formando adultos Por Leila Cohn, 2019 &nbsp; O corpo da fam\u00edlia tem uma organiza\u00e7\u00e3o complexa, um legado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,8],"tags":[],"class_list":["post-4152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-leila"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}