{"id":4034,"date":"2011-06-01T00:00:58","date_gmt":"2011-06-01T03:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/hnserver.com.br\/~psicologia\/cac\/?p=258"},"modified":"2025-12-02T14:04:07","modified_gmt":"2025-12-02T17:04:07","slug":"compulsao-e-contencao-reorganizando-apetites-e-formas-de-comer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psicologiaformativa.com.br\/en\/compulsao-e-contencao-reorganizando-apetites-e-formas-de-comer\/","title":{"rendered":"\ufeffCompuls\u00e3o e Conten\u00e7\u00e3o: Reorganizando Apetites e Formas de Comer"},"content":{"rendered":"<h2><strong>Compuls\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o: reorganizando apetites e formas de comer<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por <em>Leila Cohn<\/em>, Junho 2011<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(Reprodu\u00e7\u00e3o parcial do texto entregue aos participantes do workshop)<\/span><\/p>\n<p><strong>No in\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em tempos ancestrais a abund\u00e2ncia de comida era sazonal, e comumente n\u00e3o havia o suficiente; para adquirir nutrientes e garantir o sustento era necess\u00e1rio ca\u00e7ar, colher, pescar, e nomadear por terras long\u00ednquas. Percorria-se grandes dist\u00e2ncias e despendia-se um grande esfor\u00e7o para ter o que comer, o que consumia grande parte do cotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A disponibilidade de alimentos desempenhou um papel fundamental na evolu\u00e7\u00e3o humana; a partir do advento da agricultura e da domestica\u00e7\u00e3o dos animais no neol\u00edtico (10.000 AEC), a popula\u00e7\u00e3o mundial aumentou cerca de 1.000% em 6.000 anos, tendo se organizado inicialmente em pequenas aldeias, depois em povoados e cidades e posteriormente em imp\u00e9rios.<\/span><\/p>\n<p><strong>Pano de fundo: nossa heran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A capacidade de aquisi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de peso foi um fator valioso para a sobreviv\u00eancia, e nesta luta nossos ancestrais formaram o genoma que trazemos hoje. Evolutivamente, somos descendentes daqueles que tiveram maior capacidade de ganhar peso com facilidade em \u00e9pocas de abund\u00e2ncia e de sustent\u00e1-lo por um per\u00edodo razo\u00e1vel. Embora a situa\u00e7\u00e3o tenha se alterado radicalmente desde ent\u00e3o, geneticamente ainda somos em grande parte &#8220;como nossos pais&#8221;. Vivemos ent\u00e3o o paradoxo de termos uma situa\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia nunca dantes experimentada, enquanto nossos corpos continuam capazes de aproveitar com o m\u00e1ximo de efici\u00eancia todos os nutrientes que ingerimos. Fazemos parte de uma linhagem bem sucedida que desenvolveu a capacidade de acumular energia em forma de gordura para enfrentar os tempos de escassez.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, a estabilidade do peso configurou-se como um fator importante para a sa\u00fade. O corpo aprecia a continuidade e n\u00e3o gosta de mudan\u00e7as r\u00e1pidas ou radicais, pois isto desestabiliza a estrutura vigente, representando uma amea\u00e7a. Deste modo, estamos geneticamente programadas tamb\u00e9m para manter a forma, ou seja, para conservar o peso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A favor da manuten\u00e7\u00e3o de uma estabilidade, herdamos tamb\u00e9m um sistema inato de auto-regula\u00e7\u00e3o que trabalha influenciando o nosso metabolismo para mais ou para menos, dependendo da necessidade do momento. Assim como outros mecanismos involunt\u00e1rios, este tamb\u00e9m pode ser ativado e influenciado voluntariamente. Neste workshop, proponho a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios simples para ativar o mecanismo de auto-regula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do uso do micro esfor\u00e7o muscular volunt\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre este pano de fundo geral temos sempre operando as diferen\u00e7as estruturais e as especificidades pessoais, afetando de forma distinta a experi\u00eancia dos apetites e os processos metab\u00f3licos. Neste trabalho buscaremos organizar uma forma pessoal de lidar com a comida a partir do que nos foi dado geneticamente.<\/span><\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o evolutiva: Comer a mais como uma estrat\u00e9gia para o viver<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo da vida nos deparamos com dificuldades e obst\u00e1culos. Diante das situa\u00e7\u00f5es desafiantes nos organizamos da melhor forma poss\u00edvel com os recursos dispon\u00edveis a cada momento. Comer excessivamente certamente cumpriu uma fun\u00e7\u00e3o adaptativa e de certa forma representou um sucesso biol\u00f3gico, na medida em logramos alcan\u00e7ar a forma adulta. No presente por\u00e9m, este padr\u00e3o tornou-se obsoleto e desejamos modific\u00e1-lo. Enquanto adultas dotadas de uma capacidade volunt\u00e1ria, podemos de fato intervir neste h\u00e1bito e alterar o comportamento estabelecido. Para tanto, trabalharemos com micro movimentos volunt\u00e1rios. Usaremos a capacidade cortical-muscular de modula\u00e7\u00e3o de gestos e intensidades para acessar padr\u00f5es de a\u00e7\u00e3o herdados ou formados, e desdobr\u00e1-los em outras possibilidades de a\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerando ent\u00e3o comer em excesso como uma estrat\u00e9gia adaptativa, entendemos que, como toda estrat\u00e9gia, esta tamb\u00e9m cumpre uma fun\u00e7\u00e3o. Interessa-nos descobrir que fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o estas, uma vez que traduzem anseios ou necessidades que precisam ser atendidos de alguma forma.<\/span><\/p>\n<p><strong>Influenciando o comportamento<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desorganizando excessos e pessoalizando a heran\u00e7a<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comportamentos est\u00e1veis, como h\u00e1bitos alimentares, fazem parte de um sistema bem montado para sustenta\u00e7\u00e3o e durabilidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando falamos em educa\u00e7\u00e3o alimentar comumente pensamos no que comemos, mas raramente pensamos em como comemos; falamos da qualidade e quantidade dos alimentos, mas n\u00e3o atentamos para as v\u00e1rias etapas envolvidas no ato de comer: olhar o alimento, antecipar o sabor, lev\u00e1-lo a boca, mastig\u00e1-lo e ingeri-lo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Come\u00e7aremos mapeando o impulso de buscar a comida. O impulso de comer configura gestos instintivos de buscar, alcan\u00e7ar e pegar algo. Estes gestos s\u00e3o inatos, e podem ser observados em qualquer beb\u00ea buscando o seio. Vamos reproduzi-los voluntariamente e depois gradu\u00e1-los em passos distintos de forma a criarmos uma multiplicidade de formas e experi\u00eancias do ato de ir ao alcance da comida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vamos investigar cuidadosamente as posturas emocionais envolvidas no processo de comer e reorganizar as conex\u00f5es neuro-motoras que sustentam nossos h\u00e1bitos alimentares, criando novas formas de comer. O c\u00e9rebro mapeia novos comportamentos; quanto mais repetimos um modo de agir, mais se fortalecem as conex\u00f5es neurais correspondentes, sustentando o mapa rec\u00e9m-formado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aprenderemos a criar varia\u00e7\u00f5es a partir de um comportamento autom\u00e1tico e a repeti-las voluntariamente para estabilizar as novas conex\u00f5es cerebrais. Trabalharemos formativamente <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">tamb\u00e9m com outros temas correlatos ao impulso de comer, tais como administra\u00e7\u00e3o do tempo, regula\u00e7\u00e3o entre atividade e repouso e auto-express\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apetites, Impulsos e Modula\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fome, apetite, desejo,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devorar, comer, degustar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Buscar, modular, suavizar<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Impulso, inibi\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Movimento, alcance, colheita<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contato, acolhimento, contentamento<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contorno, conten\u00e7\u00e3o, pertencimento<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Borda, saciedade, contentamento,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pertencimento, contentamento, satisfa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Formas de Comer<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com os olhos,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com a boca,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com a barriga,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com o cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com cuidado,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com prazer,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com alegria,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Comer com amor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compuls\u00e3o e conten\u00e7\u00e3o: reorganizando apetites e formas de comer Por Leila Cohn, Junho 2011 (Reprodu\u00e7\u00e3o 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